quinta-feira, 16 de novembro de 2017

THINA CURTIS, A SENHORITA ZINE

Por: Diego El Khouri

Tive o primeiro contato com o trabalho da Thina Curtis por volta de 2009 através do seu zine Spell Work. Em 2011 tive a oportunidade de entrevistá-la em  e tal material se encontra nesse link http://fetozine.blogspot.com.br/2011/08/thina-curtis-e-sua-arte.html. Abaixo mais um bate papo com essa grande figura do underground brasileiro:


1) Você começou com a Fanzinada em 2011. Evento que celebra o fanzine e que viajou para vários lugares do Brasil. O que mudou de lá pra cá? Quais as diferenças mais visíveis na produção de cultura alternativa no país?

As pessoas voltaram a olhar para os Fanzines, outras a conhecerem e a produzir.Com certeza a qualidade e a estética visual. x
Hoje temos muitas feiras, eventos direcionados a zines e publicações independentes, Livros sobre Fanzines.

2) Você promoveu oficinas de fanzine na Febem e em presídio feminino em São Paulo. Nos conte essa experiência e qual a força da cultura alternativa na reintegração do presidiário à sociedade?
Uma experiência bem marcante e de transformação na minha vida.

O preconceito das pessoas em relação a mim por estar nesse tipo de instituição também fica associado a uma pessoa marginalizada e literalmente subversiva, ou seja, que tipo de professora e mulher é essa que vai dar aulas para bandidos. Trabalhei com meninos e meninas, mulheres. porém, ter trabalhado com jovens grávidas e com bebês foi algo que mudou e tocou algo dentro de mim.Só tendo esse tipo de experiência você nota o quanto nossa sociedade e injusta, preconceituosa, machista, racista e homofóbica.Através dos Fanzines essas crianças-mães tiveram seu primeiro contato de afeto, direitos, cidadania, empoderamento.
Por meio de simples recortes e diálogos entenderam um pouco mais sobre-viver a vida, e que existe possibilidades fora do crime e drogas.Com uma linguagem de fácil entendimento que não intimida o autor eles tiveram também o primeiro contato com arte, cultura e principalmente aprenderam a gostar de ler. Viram-se pela primeira vez capazes de pensar, se sentiram gente.


3) Você diz que acredita em "arte engajada, na arte militante, na arte sentida, na arte vivida". Pra uns arte liberta, pra outros aprisiona. Vivemos em um momento de propagandas declaradas contra os artistas e qualquer pensamento libertador. O que fazer no meio de todo esse caos?

A arte em si e uma provocação de sentimentos, eu faço parte de uma geração marcada pelas lutas e engajamento ideológico vividos na ditadura, venho de uma época que discos era proibidos por conter conteúdo improprio, ou seja, falar das condições politicas de um pais em ditadura, hoje todos falam o que querem abertamente, mais ninguém se escuta e se respeita, as pessoas reproduzem o que escutam e textos que nem leem ou entendem, em nome da moral e bons costumes, como será que Shakespeare foi visto quando naquela época fez seus textos anárquicos, Dostoiévski, Michelangelo, Caravaggio, ou um quadro clássico como o Nascimento de Vênus entre tantos outros pintores, sem falar dos poetas, músicos, escultores e outras formas de arte.

4) Como anda as mulheres na fomentação e produção de cultura alternativa? Quais nomes poderia indicar?
As mulheres como sempre estão fazendo tudo ao mesmo tempo, na cultura independente mais ainda! São tantas, Ana Paula Francotti, Aline Ebert, Julia Leonel, Ca Clandestina, Simone Siss, Amanda Doria, Titi Carnelos, Bethania Mariano, Jessica Balbino,Ligia Regina Lima,Ivone Landim,entre milhares de outras...

5) Poesia.

Alice Ruiz(sempre),Jurema Barreto, Dalila Teles, Rosana Banharoli, Janaina Moitinho

6) HQ.
Fabi Menassi, Aline Daka, Germana Viana
7) Música.
Ratas Rabiosas, Corujas de Gothan, Odisseia das Flores, Camila Fernandes (Wonder Dark)
8) Epitáfio.
A arte para mim e abrigo, apoio, vida e esperança.
9) Você, como arte educadora, com que olhos observa o momento atual que o Brasil está passando e de que forma influência nossa relação com as artes?
Creio que respondi um pouco dessa questão na terceira pergunta, porém nesse momento de crises atrás de crises, da arte ensinada nas escolas públicas não ser considerada uma disciplina, somente uma diversão é algo que somente é vista em supostas datas comemorativas para decorar escolas e salas, sabemos que a arte vai muito além disso, a arte é uma síntese dessas ambiguidades, a arte permite mergulhar em reflexões sobre a condição humana, olhar ao entorno e o que a sociedade impõe.

A arte ela tem que Fluir, Fruir!

10)Por que ainda produzir, estudar e falar sobre Fanzines?
Fazer Fanzine não necessita de regras de estruturação para se fazer compreender e isso é mágico!
Qualquer pessoa pode produzir um Fanzine.
Temos muito ainda que se discutir e comentar, temos muito ainda para apropriar quando o assunto e fanzine.
"O pai das redes sociais” ainda tem um elemento diferenciado, a criatividade, o desejo de se fazer algo por experimentação sem seguir padrões, estéticas e justamente isso que fazem dos fanzines únicos.
Fanzines são essência.
Esse artefato simples que contem um cunho forte na educação, na arte e no conhecimento ainda tem muito a ser pesquisado e falado.
Pra mim é necessidade, faz parte de mim.
Quando estou produzindo um zine novo tenho a mesma sensação da criança descobrindo o mundo, e toda vez isso é uma descoberta, a gente nunca sabe onde vai parar um zine, sei que sempre tenho retornos deles de lugares e pessoas inimagináveis.



terça-feira, 7 de novembro de 2017

A POESIA NA VIDA DA ESCRITORA MARISA VIEIRA

Por: Diego El Khouri

*Conheci a poetisa Marisa Vieira em 2013 nos saraus do Rio de Janeiro. Na época estava morando lá e nos apresentamos diversas vezes nos mesmos eventos. Mais uma grande alma que entrevistei.

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1)   Você transita muito bem entre Brasília (sua terra natal) e Rio de Janeiro (cidade onde mora atualmente). Quais as diferenças mais gritantes, dentro da poesia, nesses dois lugares e como foi seu início nessa "arte de lapidar  palavras"?

 Quando morava em Brasília, meus poemas não saiam das “gavetas, cadernos” e nem mostrava para ninguém,poucos sabiam que eu escrevia, na verdade, nem eu sabia hehe Então lá, no DF não tenho como falar sobre o circuito poético da minha época, atualmente sei que acontece um movimento forte por lá, poetas ativos como Marina Mara, Noélia Ribeiro…

Quando morava em Brasília, meus poemas não saiam das “gavetas, cadernos” e nem mostrava para ninguém, poucos sabiam que eu escrevia, na verdade, nem eu sabia hehe Então lá, no DF não tenho como falar sobre o circuito poético da minha época, atualmente sei que acontece um movimento forte por lá, poetas ativos como Marina Mara, Noélia Ribeiro…
Aqui no Rio, moro na Barra da Tijuca e costumo dizer que moro em “BarraSília” (com sotaque do Alberto Roberto) porque a Barra é igual, em minha opinião…
Meu início? Não recordo bem... cedo, dos 08 anos até uns 13 ou 14, morei com uma outra família, que não era a minha, mas era e minha segunda mãezinha, Dona Carminha, sempre recitava poemas em datas comemorativas, natal, aniversários, talvez tenha sido daí, mas não me recordo tão bem e nunca aprendi a lapidar palavras.

2) O que acha da poesia contemporânea? Quais nomes destacaria?

Em ebulição, muita gente boa, boa mesmo.
Tantos nomes a destacar…nossa‼! ARNALDO ANTUNES, assim mesmo em caixa alta.
Líria Porto, Luis Turiba, Tavinho paes, Chacal, Eduardo Tornaghi…amigos próximos como a Marina Mara que citei acima, é incrível, uma poeta que o Brasil precisa conhecer. Manoel Herculano, um poeta maranhense que tive o prazer de conhecer no Rio de Janeiro. 

3) Você é frequentadora assídua de saraus de poesia no Rio de Janeiro como, por exemplo, o Pelada Poética, evento criado e organizado pelo ator Eduardo Tornaghi (que ocorre toda quarta feira na praia do Leme),  Ratos Di Versos (um sarau bem conhecido na Lapa) e João do Corujão, sarau cujo padrinho é Jorge Ben Jor  e que acontece nas terças feiras de todo mês. Como se dá o diálogo com outros poetas e de que forma tais eventos influenciam no seu trabalho artístico?

Hoje não sou tão assídua assim, mas foi aqui no Rio, especialmente no movimento Corujão da Poesia que conheci poetas e fiz amigos para a vida toda, digo que sou Marisa AC/DC (antes de depois do Corujão). Papo longo que não dá seguir aqui…
Os eventos de poesia não influenciam no meu trabalho, o Corujão sim, teve um papel importante, por me apresentar a vários poetas e foi através do corujão que conheci os demais eventos. Amo o Pelada Poética, o Mano a Mano com a Poesia, do Mano Melo, Sarau do Mello, do ator e poeta Marcello Melo, eventos que o Tavinho Paes sempre organiza e são sempre uma grande festa e surpresa, um dos melhores que acontecem no Rio do Janeiro. Dialogo bem com todos que conheço.


4) Você pensa no público quando escreve um poema?

Não penso.

5) Você acha que poesia atrai um público restrito? O que fazer para as comunidades  carentes terem acesso à cultura?

Sim. Fiz durante um ano parte da coordenação artística de um sarau chamado OPA! Ocupações Poéticas que acontecia todos os sábado no Monumento a Estácio de Sá (Aterro do Flamengo) e esse evento era muito especial, pois através do Dra. Thelma Fraga, era voltado para as comunidades carentes, levávamos sempre um grupo, como Cidades De Deus, Caju, entre outros…infelizmente após a partida rápida da Thelma, não prosseguimos com a OPA! Mas ainda sonho e tenho vontade de voltar a fazer algo do tipo, pois o que precisa para as comunidades terem acesso à cultura ir até elas e mostrar que as mesmas podem e podem muito.

6) Além de poemas, costuma escrever em outros segmentos literários?

 Não. E sou mais "frasista" do que poeta. Se bem que existe poeta de um verso só...

7) Livro  (s) de cabeceira.

Atualmente a Bíblia, Cem anos de Solidão e muitas matérias e artigos sobre marketing (finalizando a faculdade ufa‼!)

8) Uma lembrança inesquecível.

Bem falando de poesia, uma lembrança inesquecível foi o nascimento da OPA! No dia da ocupação do exército no Complexo do Alemão, passamos um dia inteiro falando poemas, ouvindo os moradores, mães, crianças, foi um dia rico, com muitos músicos, atores e poetas do Rio de Janeiro disponíveis para arte.

9) Uma poesia de sua autoria.

 Negra Vieira 

Sou mar
sou terra
sou ar
da atmosfera


sou rara
sou fogo
cara a cara
abro o jogo


poeta
riso franco
negra
em terra de branco

10) Uma frase pra finalizar.

Vou deixar duas e você escolhe:
Salvou-se, era a rima da família!

Desde o princípio, mesmo sem verba, nunca deixou de crer no verbo.
Marisa Vieira


terça-feira, 10 de outubro de 2017

O ARTISTA VISUAL DALTON ROMÃO

Por: Diego El Khouri


Nesse meu processo de mergulho na cultura/arte contemporânea venho entrevistando muitos artistas interessantes e dessa vez tive o prazer de registrar esse bate papo com o artista carioca Dalton Romão.


"Dalton dos Reis Romão, artista, nasceu no Rio de Janeiro em 1952.
Iniciou suas atividades artísticas ainda criança, inspirado em quadrinhos.
Aos 19 anos entrou na Escola de Artes Gráficas do SENAI/RJ para fazer Projetos Gráficos.
Lá começou a pesquisar o Dadaísmo e a Pop Art. Como prêmio, por ser um dos mais bem classificados da turma,
ganhou um estágio no departamento de arte da agência de publicidade J. Walter Thompson.
Atuou como layoutman e ilustrador nas Páginas Amarelas onde desenhava logotipos, vinhetas e afins.
Se desenvolveu como ilustrador e voltou para o mundo da publicidade, foi promovido a diretor de arte
e ganhou diversos prêmios em várias agências onde atuou por muito tempo.
Em 2015 participou das exposições Rio 450 (RJ), Colhendo Estrelas (SP), Salão de Arte do Corpo de Fuzileiros Navais/MNBA (RJ),
recebendo Prêmio Destaque pela€“ melhor obra sobre o tema, Salão de Arte Contemporânea / SBBA (RJ), recebendo Medalha de Ouro,
Marés & Cores 3a Edição (RJ) e 19º Circuito das Artes do Jardim Botânico (RJ).
Foi selecionado com quatro trabalhos no livro State of the Art – Artist’s Book, volume III, que está sendo distribuí­do na Europa.


“Meu processo de criação é baseado em pesquisas em sites de fotos free.
Tenho uma coleção enorme e as vou colando de uma maneira empí­­rica, experimental mesmo.
Parece uma coisa espiritual. Acontece no modo intuição.
Aparentemente não tem lógica nenhuma e quando chego em um resultado que considero final, aí­­ sim vem um nome”€."




1) Qual a importância que as artes visuais tem em sua vida e por quais linguagens transita para criar conteúdo, poética e diálogo?

 O conceito de artes visuais é amplo, engloba várias atividades e algumas como desenho, colagem, gravura e fotografia, de alguma maneira, fizeram parte da minha vida desde a infância. Comecei desenhando influenciado por HQs. Depois, na escola de artes gráficas me interessei por colagem e serigrafia. Mais tarde, já na publicidade, conheci a fotografia. Hoje meu trabalho é uma mistura disso tudo - desenho, pinceladas, traços, vetores e fotos free amalgamados no computador. Transformo luz em tinta. O resultado final é obtido com impressão fine art que faz uso de pigmentos minerais e a utilização de papéis importados em alfa-celulose ou 100% algodão.


A minha poética tem muito a ver com as minhas ansiedades, sobre o que leio e o que penso do mundo. Influências da Pop Art e da pós-vanguarda alemã. Artistas como Rauschenberg, Wharol, Basquiat e Sigmar Polke sempre fizeram a minha cabeça.

2) Aos 19   anos de idade entrou na Escola de Artes Gráficas  do SENAI/RJ para fazer projetos gráficos. Dentro desse ambiente começou a pesquisar o Dadaísmo e a pop art. Por ser um dos mais bem classificados da turma, ganhou um estágio no departamento de arte da agência de publicidade J. Walter Thompson, e ganhou diversos prêmios em várias agências de publicidade. De que forma tais experiências influenciaram seu trabalho no campo das artes visuais?
Trabalhei, nos meus mais de 35 anos como publicitário, com pessoas muito talentosas que vieram do jornalismo, da poesia, do cinema, da filosofia e do design.Isso me deu uma bagagem bem eclética. E o que passei a ver e ler foi muito influenciado por eles e se reflete no que faço.



3) De que forma enxerga a cena artística e cultural do Rio de Janeiro na contemporaneidade e quais paralelos faz com os outros Estados do Brasil? 

 Tem pouco tempo que transito nessa área, ainda nova para mim, mas pelo que converso com alguns artistas de outros estados e principalmente do nordeste, o que mais aflige é a dificuldade de se conseguir espaço em galerias do eixo Rio / São Paulo. Sabemos que têm outras coisas além do próprio trabalho que influenciam. Existem certos preconceitos que são difíceis de sobrepujar. Eu, por exemplo, comecei a mostrar meu trabalho aos 60 - estou com 65 - e fazendo arte digital. Loucura? Brincadeiras à parte, tem que ter comprometimento, coragem, muita ralação e, é claro, um trabalho diferente para poder realmente ser notado. Sempre que é possível participo de eventos. Aqui no Rio, não faltam.



4) Você participou da 1ª Bienal Visual de Arte Contemporânea no Brasil. Nos conte essa experiência e fale sobre os trabalhos que expôs nesse evento. 

 1ª Bienal Virtual de Arte Contemporânea, foi uma ideia do Paulo Mendes Faria, artista de Petrópolis, cidade serrana do Rio de Janeiro, para dar oportunidade de visualização à artistas que ainda não têm ou não tinham espaço em galerias. Muitos participantes e sem uma curadoria que filtrasse fez com que o resultado final não me agradasse. Gostaria que nem tocasse nisso.



5)  Em Setembro de 2014 foi medalhista de ouro no salão de Arte Contemporânea da SBBA, com duas gravuras (Race Hens e Caminho Indefinido). Ouro também na categoria "Destaque" no Salão dos Fuzileiros Navais com a gravura Adsumus. Nos fale sobre essas premiações, os trabalhos contemplados  e quais impactos tais prêmios teve em sua jornada artística. 

 Estava começando e ansioso para participar de exposições. Esse dois salões são lugares de arte tradicional e acadêmica, mesmo assim entrei para começar a fazer currículo e surpreendentemente ganhei Ouro na SBBA e tive a minha gravura, no Salão dos Fuzileiros Navais, como o melhor trabalho exposto. Foi um estímulo para continuar trilhando pelo digital.



Caminhos Indefinidos
100 x 100 cm



Race Hens
100 x 100 cm



Adsumus
60 x 42 cm


6) Você trabalha também com arte digital e as utiliza em suas experimentações. Você acredita que a arte está sempre ligada a esse laboratório criativo "anti segmentação"?



 Hoje meu trabalho é digital. Criei um grupo com mais três artistas, Os Digitais, exatamente com a intenção de discutirmos processos e mostrarmos para o público que é só mais uma outra ferramenta e muito atual, por sinal.
Acredito que o artista deva se apropriar do que for necessário para poder expressar o que sente. 




7) O que está lendo ultimamente?

Acabei de ler "Mortais" do Atul Gawande, livro que fala sobre o caminho que devemos percorrer para lidar sabiamente com nossa própria finitude.



8) Que  tipos de projetos vem desenvolvendo com o artista visual Franz Manata?

O Franz Manata foi meu professor o ano passado todo na EAV. O atelier que eu participei com ele não era do como fazer e sim do que fazer. O nome era Desenvolvimento de Projeto. As discussões eram sobre o processo criativo na obra de cada um de nós, alunos. Amadureci bastante e passei a olhar de outra maneira o que vinha fazendo e com isso vieram algumas mudanças.



9) Uma frase que te causa impacto e faz parte do seu imaginário criativo.

 "Morra antes que você morra" frase Sufi que faz nos lembrar que é preciso sempre estar procurando novas maneiras de ser e fazer. Lembrar que a morte é transformação. Que o novo é sempre bem-vindo e, ruim é ficar estagnado e ultrapassado.



10) Próximos passos.

 Continuar pesquisando, lendo, vendo e desenhando para levar meu trabalho sempre à novos patamares.



da série "Imagens que Inquietam"


70 x 100 cm

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O POETA MAZINHO SOUZA

Por: Diego El Khouri

Mazinho Souza é goiano, poeta, agitador cultural, bardo  inquieto, delirante.  Ao lado de outros escritores, criou a editora marginal Goiânia Clandestina. Esse ano (2017) foi publicado o primeiro livro da editora:  uma antologia com poemas dos participantes da Clandestina. 
Logo abaixo a entrevista que fiz com esse maluco:





1)     O que te despertou no início a criar "imagens  poeticas" através da palavra?

Com doze anos, após ler um poema de um tio meu, fiquei encantado com aquela linguagem e isto me despertou a tentar também e desde então não parei mais.


2)     O que é ser um escritor em um país onde a Cultura é deixada de lado pelo Estado ?

ser escritor em tempos de crise política e descaso cultural do governo é estar de acordo consigo mesmo, é esquivar de todo mecanismo que envolve as grandes elites e, mesmo fudido, estar de consciência limpa com o que se faz.


3)     Nos fale sobre a editora Goiânia Clandestina.

A Editora Goiânia Clandestina é o abraço ao poeta suburbano, marginalizado, o escritor sem ilusões. A editora vem com intuito de dar voz a quem precisa falar, no caso o poeta, e expandir a cultura na cidade, mesmo sem apoio governamental, como forma de expressão e crítica aos tempos atuais.


4)     Octávio Paz dizia que "poesia é a subversão do corpo", Breton  falava que "poesia  é a orgia mais fascinante ao alcance do homem" e, mais na atualidade, Glauco Mattoso veio a dizer que "poesia é a metralhadora na mão do palhaço". E pra você o que seria poesia?

Bom, diferente dos grandes mestres da literatura, eu acredito que poesia seja, simplesmente, viver com a verdade, de acordo com a natureza das formas e das coisas, sejam elas construídas ou naturais. Mais que tudo, poesia é estar vivo e no presente, onde a eternidade reside.



5)     Como se dá o diálogo com outros artistas e público e  de que forma isso influencia em seu trabalho no campo da literatura?

se tratando da escrita em si, poucos ou quase nenhum momento, sou influenciado por diálogos com artistas ou o publico em si, são os livros, as leituras e o ócio que me influenciam, é a tranquilidade de pensar e raciocinar uma idéia. Mas se tratando do trabalho no ramo da literatura, publicações, eventos etc, o contato com artistas e publico é essencial, tanto para compreender a necessidade cultural de cada indivíduo, como também a discussão de uma ideia a ser materializada, neste caso a influencia é quase que total.

6)     O que anda lendo ultimamente?

Ultimamente ando lendo bastante a poesia que está sendo produzida aqui em Goiânia, é quase minha leitura diária, há mais ou menos dois anos, nomes como Paulo Manoel, MaHa Iza, Jheferson Neves e outros poetas em atividades atualmente. Também venho deliciando, nos tempos de ócio, com João Cabral de Melo Neto, Ferreira Gullar, Chacal, e no campo da filosofia Aristóteles e Platão

7)     De que forma as artes podem influenciar  de forma positiva a sociedade? 

Bom, a arte vem à tona para desconstruir uma ideia e despertar o interesse ao novo. Vem como possibilidades de quebras de paradigmas, tais como conceitos morais, e a sugestão a outro ponto de vista do humano enquanto ser, da sociedade enquanto conjunto, da vida enquanto contemplação e expansão dos sentimentos da alma.


8)     Uma poesia sua.

eu, pequeno moço
sei o pouco para sobreviver
no todo que sobrevier

sei que tamanco não dá pé
para o ocorrido
no corpo ao qual não saio
nem para o ensaio dos encontros

e um bolso falido
que leva a saudade
como vaidade
de fuga

por que estaria eu
por aí à estampar
rugas

se meu verso é criança
e como preferência
escolhe a dança
à ilustrar o sombreamento
da rua.

9)     Epitáfio.

“que a poesia seja meu último apego” Dayse kenya

10)  Fale o que quiser. Mete bronca!

Eu quero que o humano se sinta de dentro pra fora
Que alcance os sentimentos mais ousados que tua alma possibilite
Que se entregue aos impulsos do devir
Que se negue à castração imediata da razão
Que se veja sempre em reflexo
Que planeje a direção
Mas não o destino
E que neste desatino
Aprenda a simplicidade

De viver.